sábado, 16 de junho de 2012

A VIDA NA TERRA JÁ ESTEVE EM RISCO DE SE EXTINGUIR

No início do período Permiano ou Pérmico, a Terra apresentava um continente único, chamado Pangea [do grego pan = toda + gea = terra]. Em formato alongado, esse continente se estendia do pólo norte até o pólo sul e o restante da superfície do planeta Terra era coberto por uma imensa massa de água; um oceano único chamado Panthalassa [do grego pan = todo + thalassa = oceano]. A excepção era um pequeno mar situado na região a leste da Pangea, chamado Tethys, que hoje é denominado de Mar Mediterrâneo.
A crise no fim do período Pérmico foi de longe a crise mais dramática que a vida na Terra enfrentou. Uma série de acontecimentos ambientais adversos como aquecimento global, chuva ácida, acidificação e falta de oxigénio no oceano provocaram a morte de 90% dos seres vivos na terra e no mar. A vida quase terminou há cerca de 250 milhões de anos.
Num artigo publicado na revista Nature Geoscience, a dupla de cientistas Zhong Chen-Qiang da Universidade de Geociências chinesa e Michael Benton da Universidade de Bristol indicam que a recuperação da vida após a extinção em massa demorou cerca de 10 milhões de anos.
“É difícil imaginar como tanta vida foi destruída mas não há dúvida, por alguns segmentos de rocha da China e noutros locais à volta do mundo, que esta foi a maior crise que a vida alguma vez enfrentou”, explicou Chen.
Os cientistas apontam dois motivos possíveis para o atraso do regresso da vida: a intensidade absoluta da crise e as condições adversas na Terra após a primeira onda de extinção.
A pesquisa atual indica que as condições adversas na Terra mantiveram-se cerca de cinco a seis milhões de anos depois da crise inicial, com crises de carbono e oxigénio frequentes, aquecimento e outros eventos nocivos.
Alguns grupos de animais no mar e terra recuperaram rapidamente e começaram a reconstruir os seus ecossistemas mas sofreram novos retrocessos. A vida não recuperou verdadeiramente nestas fases iniciais porque ainda não estavam estabelecidos ecossistemas permanentes.
Benton, professor de paleontologia de vertebrados explicou que “ quando a vida parecia estar a voltar à normalidade surgia uma nova crise e ocorria novo retrocesso. As crises de carbono foram repetidas várias vezes e as condições só normalizaram outra vez após cinco milhões de anos.”
Finalmente, quando as crises ambientais deixaram de ser tão graves, surgiram ecossistemas mais complexos. No mar apareceram novos grupos, como caranguejos e lagostas ancestrais, assim como os primeiros répteis marinhos. 
“Vemos sempre as grandes extinções em massa como eventos totalmente negativos mas mesmo neste caso mais devastador, a vida recuperou, após milhões de anos e, surgiram novos grupos. O evento reajustou a evolução. Contudo, as causas de morte, aquecimento global, chuvas ácidas e acidificação dos oceanos soam-nos bastante familiares. Talvez possamos aprender alguma coisa com estes eventos antigos.”
(Este artigo foi publicado na revista Nature Geoscience Poderá aceder ao resumo do artigo no endereço electrónico http://www.nature.com/ngeo/journal/vaop/ncurrent/full/ngeo1475.html).

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