Na última reunião da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, realizada na passada 4ª feira, dia 16 de Março de 2011, e perante a afirmação feita por um dos vereadores da maioria BE (...) o descontentamento foi contra o PS e o PSD, embora eles se tenham feito despercebidos (...) [cito de memória], o vereador socialista Helder Esménio insurgiu-se contra este torpe aproveitamento de uma manifestação, balizando-a, condicionando-a, enquadrando-a, nos objectivos políticos de uma força partidária [BE] que sempre tem optado por coligações negativas e nunca foi solução para qualquer dos problemas que o País atravessa.
Transcreve-se seguidamente a intervenção/resposta dada por este vereador àquele comentário:
"Chega a ser curioso que algumas das forças partidárias que por ideologia são marxistas e leninistas, cujos países de referência cada vez em menor número, felizmente para os respectivos Povos pois só receberam miséria, chega a ser curioso, dizia, que essas forças partidárias falem de manifestações, de números de participantes, de objectivos alcançados, como se fossem os seus promotores, quando foram aqueles países, a experiência mostra-o, os que mais estreitaram a liberdade individual de expressão e de manifestação. Claro que sempre em nome do Povo, que só os próprios líderes e correligionários dessas forças partidárias representam ou representavam. Quem era contra eles era contra o Povo.
Mas vamos lá falar das manifestações de sábado, pois aqui em Portugal elas fazem-se em absoluta liberdade e enquanto essas forças partidárias não chegarem ao Poder, estamos seguros, até podemos debater o tema e, mais do que isso, até podemos ousar discordar uns dos outros.
O que as manifestações nos dizem em democracia é que pelo menos os que as integram estão descontentes com o rumo que as coisas tomam. No caso com a falta de oportunidades, com o crescente número dos que procuram o 1º emprego, com o aumento da insegurança e instabilidade no emprego (para os que o têm), com o alargamento de muitos horários de trabalho, com a diminuição de vencimentos, etc, etc.
Quem vive e respira em democracia sabe isso. Mais, preocupa-se com isso. Ao contrário de algumas forças partidárias que se alimentam e vivem apenas no seio de coligações negativas, que se colam a todos os protestos, os cidadãos que se preocupam estão muito apreensivos.
Eu olho para os problemas sempre na perspectiva de os procurar resolver. Eu tenho 3 filhos entre os 16 e os 28 anos e não os quero enganar, como não quero iludir nenhum dos seus amigos ou amigas. Portanto ao contrário da coligação [BE] ou das coligações negativas que de onde em onde se vão formando, eu não quero apenas somar ruído àquele que muitos dos nossos jovens fizeram por verem muitas das suas expectativas adiadas e mesmo goradas.
Cada um em seu sítio tem que ajudar, com trabalho, com inteligência, com capacidade de resistência. E os jovens que se manifestaram e os que não o fizeram têm força mais do que suficiente para criar novos partidos, para “invadir” os que existem, para ajudarem a escolher e a construir o caminho. Não apenas para exigir um. Pois se não o fizerem um dia podemos voltar a ter um “salvador da pátria” e deixamos todos de poder conduzir o nosso futuro, deixamos de poder escolher o caminho.
O que eu espero desses jovens, dos meus filhos também, é que eles se importem, se impliquem, se envolvam. Mudem o que houver a mudar, que sejam empreendedores, que sejam empresários, que ajudem a criar dinâmicas de desenvolvimento que consigam gerar empregos, pois pelos vistos empregos públicos já há demais!
Em resumo, todos precisamos de tirar consequências das manifestações do último sábado, mas elas só terão alguma utilidade prática se os próprios assimilarem que agir é muito mais que repudiar e protestar. Precisamos da força dos jovens, esta é a geração de sempre mais habilitada.
Esta é a leitura que faço das manifestações de sábado, mas como não somos populistas, para nós elas foram muito mais que uma festa/convívio de jovens, como algumas intervenções e alguns relatos parecem querer fazer crer."